Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Dica: livros grátis no e-mail

Sim, isso mesmo. E de graça. Mas não é um livro inteiro para se fazer o que quiser, engraçadinho. É para acabar com a desculpa esfarrapada de "não tenho tempo pra ler". Quem não tem cinco minutos pra ler por dia? Mesmo quando estou empanturrada de tarefas, tenho esse tempo."Estou tão cansada (o) que nem penso em abrir um livro. Mas, com um serviço desses, não precisa abrir um livro. Basta conferir a caixa postal do e-mail que, voilá, 5 min (ou 10, ou 15, a escolha é do freguês) de leitura do livro que a pessoa escolher. E são uns  cento e tantos livros à escolha, no site em português, o Leitura Diária, em que se pode escolher o livro por autores,títulos ou gêneros.

Começando a usar o serviço, estou lendo Minha Luta, do Hitler. É, como historiadora, não posso deixar de ler esta bosta. E como esta bodega não pode ser editada até 2015 (Hitler doou os direitos ao governo da Baviera, e até a obra cair em domínio público o governo se negou a deixar publicar), aproveitei a chance de ler, e de graça.

Existe também a versão anglo-saxã do mesmo serviço. Bem mais robusto, o DailyLit tem muitas categorias a mais, com, é claro, muitas outras opções de livros. E tem livros não apenas em inglês, mas infelizmente nenhum em português.

Como não podia deixar de ser, indico aqui o blog em que descobri os dois serviços: Livros e Afins , ótimo blog sobre livros, literatura, mercado editorial...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Dia 14 - Um livro não-ficcional


Assim que pensei nesse post, decidi divulgar um livro de História. Não o meu favorito, porque o meu favorito é de teoria, pesado pra quem não é historiador. Decidi fazer propaganda desse livro porque é um manualzão sobre Idade Média, muito bem escrito, sucinto. Ou seja: ótimo pra quem não quer ser historiador, mas tem curiosidade sobre o período. E pra quem quiser se aprofundar mais, tem uma bem razoável bibliografia no final do livro. Para quem precisa de explicação dos termos, um glossário. 

Fica aí a dica então :)

Querendo saber mais sobre o meme de setembro, clique aqui.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

E-readers ou livros em papel?


Com a popularização cada vez maio dos e-readers, está-se criando uma polêmica que, a meu ver, pode ser uma grande bobagem: o objeto livro vai se tornar uma excentricidade? A meu ver, não. Não gosto de bancar a futuróloga, mas acho que ambos irão coexistir, livros e e-books.

No início do século XX, quando surgiram os primeiros LPs, a pergunta foi: e os rádios? E os shows ao vivo? As pessoas vão ter acesso às músicas no recôndito de seu lar... quando a TV surgiu, a mesma pergunta em relação ao rádio: ele vai se extinguir? Não, ele não se extinguiu: apenas mudou a sua programação, rádio-novelas passaram a não fazer mais sentido. E assim em diante.Viajando-se para algumas décadas adiante, a internet passou a representar um grande risco para o mercado de CDs e DVDs: é só baixar, pra que vou gastar dinheiro para ter algo físico se posso ter o mesmo com a mesma qualidade(nem tanto em relação a música, mas enfim) gastando ou muito menos ou nada? Essas indústrias sim estão em risco de extinção, a meu ver. Especialmente a de CD - não a musical. A infra-estrutura das gravadoras ainda oferece bastante aos artistas, ou parte deles não estaria brigando contra a pirataria. O modelo de negócios vai mudar, mas o negócio vai continuar.

Com o livro, tem-se uma relação muito diversa à que temos com CDs e DVDs. Não nos apegamos tanto ao material que constitui um CD-DVD-Bluray, mas ao papel... se não se apega tanto mais à escrita manuscrita, o manuseamento do objeto livro, a beleza do mesmo (especialmente se for uma boa edição), a história que cada objeto-livro encerra em si são, a meu ver, insubstituíveis. E pra que ter uma biblioteca embaixo do braço se lemos no máximo uns 3 livros por vez? E quem precisa carregar uma biblioteca no metrô, se podemos carregar um livro, abrir, sentir seu cheiro e ler o mesmo no trajeto? E o maravilhamento de estar DENTRO de uma biblioteca, o e-reader vai substituir? Não, o e-reader não vai substituir nenhuma dessas sensações. Ele vai criar outras, mas será mesmo que vai substituir uma cultura de 5 mil anos? O hábito de ouvir música em casa, a hora que se queira, tem menos de 100 anos. A cultura do livro - do manuscrito ao impresso- tem 5 mil anos. Como disse acima, detesto bancar a futuróloga, mas acho que o e-reader vem a ACRESCENTAR, não a SUBSTITUIR a forma da cultura escrita. E quem vos escreve é uma amante de tecnologia, não alguém que tenha aversão à mesma, alguém tradicionalista, que não goste de nada digital. Quando tiver meu smartphone (porque sim, eu quero ter), vou usar pra ler e comprar livros, isso é fato. Mas o hábito de ler no smartphone/no e-reader no metrô ou no avião, ou em qualquer outro lugar NUNCA vai substituir a minha paixão pelo objeto livro. Quando tiver filhos, vou ler para eles com livros em papel. E é assim que a cultura do objeto-livro vai continuar: o deslumbramento visual, olfativo e do tato  passado de pai/professor/educador para as novas gerações, se Deus quiser e meu pequeno exercício de historiadora-futuróga estiver minimamente correto.

Add caption

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Gregório de Matos

Não vou aqui falar quem foi Gregório de Matos. Não com detalhes, mas facilmente se pode dizer que foi o nosso maior representante do barroco - ou ao menos o mais reconhecido atualmente. Viveu no século XVII, no que hoje é o Nordeste do Brasil. E aqui fica uma singela homenagem, com uma poesia escrita há mais de três séculos e tranquilamente entendida e admirada hoje, no começo do século XXI. Bendito mestrado me fazendo relembrar a existência das poesias do Boca do Inferno.
Fingindo o poeta que acode pelas honras da cidade,
entra a fazer justiça em seus moradores,
signalandolhes os vicios, em que alguns delles se depravavão.
  1. Uma cidade tão nobre,
    uma gente tão honrada
    veja-se um dia louvada
    desde o mais rico ao mais pobre:
    Cada pessoa o seu cobre,
    mas se o diabo me atiça,
    que indo a fazer-lhe justiça,
    não me poderão negar,
    que por direito, e por Lei
    esta é a justiça, que manda El-Rei.
  2. O Fidalgo de solar
    se dá por envergonhado
    de um tostão pedir prestado
    para o ventre sustentar:
    diz, que antes o quer furtar
    por manter a negra honra,
    que passar pela desonra,
    de que lhe neguem talvez;
    mas se o virdes nas galés
    com honras de Vice-rei,
    esta é a justiça, que manda El-Rei.
  3. A Donzela embiocada
    mal trajada, e mal comida,
    antes quer na sua vida
    ter saia, que ser honrada:
    à pública amancebada
    por manter a negra honrinha,
    e se lho ouve a clerezia
    dão com ela na enxovia,
    e paga a pena da lei:
    esta é a justiça, que manda El-Rei.
  4. A casada com adorno,
    e o Marido mal vestido,
    crede, que este mal Marido
    penteia monho de cono:
    se disser pelo contorno,
    que se sofre a Fr. Tomás.
    por manter a honra o faz,
    esperai pela pancada,
    que com carocha pintada
    de Angola há de ser Visrei:
    esta é a justiça, que manda El-Rei.
  5. Os Letrados Peralvilhos
    citando o mesmo Doutor
    a fazer de Réu, o Autor
    comem de ambos os carrilhos:
    que se diz pelos corrilhos
    sua prevaricação,
    a desculpa, que lhe dão,
    é a honra de seus parentes
    e entonces os requerentes,
    fogem desta infame grei:
    esta é a justiça, que manda El-Rei.
  6. O Clérigo julgador,
    que as causas julga sem pejo,
    não reparando, que eu vejo,
    que erra a Lei, e erra o Doutor:
    quando vêem de Monsenhor
    a Sentença Revogada
    por saber, que foi comprada
    pelo jimbo, ou pelo abraço,
    responde o Juiz madraço,
    minha honra é minha Lei:
    esta é a justiça, que manda El-Rei.
  7. O Mercador avarento,
    quando a sua compra estende,
    no que compra, e no que vende,
    tira duzentos por cento:
    não é ele tão jumento,
    que não saiba, que em Lisboa
    se lhe há de dar na gamboa;
    mas comido já o dinheiro
    diz, que a honra está primeiro,
    e que honrado a toda Lei:
    esta é a justiça, que manda El-Rei.
  8. A viúva autorizada,
    que não possui um vintém,
    porque o Marido de bem
    deixou a casa empenhada:
    ali vai a fradalhada,
    qual formiga em correição,
    dizendo, que à casa vão
    manter a honra da casa,
    se a virdes arder em brasa,
    que ardeu a honra entendei:
    esta é a justiça, que manda El-Rei.
  9. O Adônis da manhã,
    o Cupido em todo o dia,
    que anda correndo a Coxia
    com recadinhos da Irmã:
    e se lhe cortam a lã,
    diz, que anda naquele andar
    por a honra conservar
    bem tratado, e bem vestido,
    eu o verei tão despido,
    que até as costas lhe verei:
    esta é a justiça, que manda El-Rei.
  10. Se virdes um Dom Abade
    sobre o púlpito cioso,
    não lhe chameis Religioso,
    chamai-lhe embora de Frade:
    e se o tal Paternidade
    rouba as rendas do Convento
    para acudir ao sustento
    da puta, como da peita,
    com que livra da suspeita
    do Geral, do Viso-Rei:
    esta é a justiça, que manda El-Rei.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Xenofobia e Vargas

Estava eu lendo os blogs que acompanho na internet quando me deparei com algo que me chocou e desagradou bastante. Acompanho tem um tempo já o Lost in Japan! (que até já foi citado aqui), um blog de um brasileiro descendente de japoneses que mora no Japão. No blog, ele mostra a cultura japonesa para além da cultura pop que chega a nós, apresentando mesmo o país para quem não vive lá. Muito bom, leio sempre.
Indo ao assunto do título deste post, essa semana o Alexandre postou, na sexta dia 18 de junho, uma homenagem aos 108 anos de imigração dos japoneses no Brasil. Mas escolheu, ao invés de mostrar o quão receptivo o Brasil foi, contar uma triste história de eugenia cometida no governo Vargas (em 1938, às vésperas da II Guerra Mundial). Vargas, nesse tempo, estava adotando uma política de eugenia racial (para "melhorar a raça", branqueando a população brasileira), o que se refletia na política de imigração: só poderia ficar no Brasil quem tivesse plenas condições de trabalhar - especialmente se o candidato a imigrante não fosse branco. Consequencia dessa política: muitas famílias separadas no momento de embarque no Brasil, pois nem todos chegavam em condições perfeitas para trabalho - como foi contado neste post.
A história do post - um pai separado da sua mãe e da sua filha mais nova, ficando apenas com a mais velha - já é bastante triste per si. A família, separada no porto de Santos, nunca mais se reencontrou. À tristeza da história, junta-se a tristeza causada pela reação de alguns dos leitores do blog: ao invés de se solidarizarem com os sofrimentos impostos pela imigração, ficaram estarrecidos porque o dono do blog falou mal do Brasil! Sim, isso mesmo. Não se pode falar dos erros do passado, olhar criticamente para o que aconteceu: criticar é falar mal, um ato de desamor à pátria. Infelizmente o que se viu foi uma reação de apoio à xenofobia .
Como historiadora e professora, fiquei muito muito triste.Uma das funções da minha profissão é desmistificar  o passado, e o que esses ufanistas demonstraram é que alguns ainda desejam um passado mítico. O mito do Brasil acolhedor, do Brasil não racista, dentre outros mitos. Querer desmerecer esses sofrimentos é um desserviço histórico, uma ode ao miticismo. Que eu não aceito. Histórias como essas têm sim que ser contadas, analisadas. A Guerra do Paraguai, a Guerrilha do Araguaia, a História da Imigração. Tudo tem que ser estudado, se não quisermos construir um país tendo como ponto de partida uma memória completamente irreal.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Biblioteca da Imaginação Humana

Estava eu despreocupadamente surfando pela internet quando me deparo com um post no Blog da Cultura sobre a Bilioteca da Imaginação Humana. É uma biblioteca privada reunida por um desgraçado  milionário norte-americano que investiu dinheiro numa...biblioteca. Numa FANTÁSTICA biblioteca, diga-se. Porque não é apenas um lugar onde se guardam livros, mas também valiosas peças que remetem a toda a história do conhecimento humano (especialmente ocidental, pelo que deu pra ver). E eu, como curiosa que sou (amo História, mas não só isso - tanto que estou dando meus primeiros passos estudando História da Ciência e Hist. das Artes por puro lazer) babei muito, muito feio mesmo pela tal biblioteca. Abaixo, dois vídeos: o primeiro é o vídeo de divulgação feito pelo proprietário e no segundo ele mostra numa palestra parte da sua coleção (em inglês, infelizmente sem  legenda). Só tenho pena de UMA coisa: a biblioteca é particular, só entrando nela os devidamente convidados pelo milionário. Bom, aqui um gostinho:





segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Israel X Palestina

Vá lá, um post sério. Muito sério. Para algumas amigas minhas é decepcionante que eu, que sou tão palhaça, tenha um blog tão sério...rsrs. Mas enfim, não consigo não comentar o que está acontecendo na Palestina nesse momento. 17 dias de uma guerra injusta, covarde, que atende a interesses que ferem tanto muçulmanos quanto judeus. Assim como os muçulmanos não merecem as atrocidades que sofrem, grande parte dos judeus não merece que toda uma comunidade seja confundida com alguns assassinos sem mãe que dizimam dia a dia os palestinos.

Vão aqui dois textos que achei navegando por aí. O primeiro soube pelo fórum Valinor, o segundo pelo blog do meu tio.

Um que mostre o lado palestino...
Doze regras de redação da Mídia americana quando a noticia é do Oriente Médio

1) No Oriente Médio são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se represália.

2) Os árabes, palestinos ou libaneses não tem o direito de matar civis. Isso se chama "terrorismo" .

3) Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama "legitima defesa".

4) Quando Israel mata civis em massa, as potencias ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama "Reação da Comunidade Internacional" .

5) Os palestinos e os libaneses não tem o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isto se chama "Sequestro de pessoas indefesas."

6) Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente são mais de 10 mil, 300 dos quais são crianças e mil são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinos. Isto se chama "Prisão de terroristas" .

7) Quando se menciona a palavra "Hezbollah", é obrigatória a mesma frase conter a expressão "apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã".

8) Quando se menciona "Israel", é proibida qualquer menção à expressão "apoiada e financiada pelos EUA". Isto pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.

9) Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões "Territórios ocupados", "Resoluções da ONU", "Violações dos Direitos Humanos" ou "Convenção de Genebra".

10) Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre "covardes", que se escondem entre a população civil, que "não os quer". Se eles dormem em suas casas, com suas famílias, a isso se dá o nome de "Covardia". Israel tem o direito de aniquilar com bombas e misseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso se chama Ação Cirúrgica de Alta Precisão".

11) Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apóiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama "Neutralidade jornalística" .

12) Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são "Terrotistras anti-semitas de Alta Periculosidade" .
Doze regras de redação da Mídia americana quando a noticia é do Oriente Médio


Fonte:http://www.cartacapital.com.br/app/index.jsp


E um texto de um judeu que vive em Israel.

O jornalista israelense Tom Segev é colunista do Haaretz e escreveu para o Washington Post esse artigo que O Globo reproduziu:

Um novo fatalismo

JERUSALÉM. Ao fim do 10º dia da operação de Israel na Faixa de Gaza, eu estava zapeando na TV.

As imagens se tornavam mais e mais horríveis. Então um amigo me ligou para falar que um canal estava transmitindo "Cristo no Monte das Oliveiras", de Beethoven.

Ao ouvir Beethoven na TV eu estava fazendo o que mais e mais israelenses tendem a tentar nestes dias: escapar das notícias e se refugiar em atividades culturais e não-políticas. Esse escapismo reflete o novo fatalismo israelense.

Pertenço a uma geração de israelenses que cresceu acreditando na paz. Ao fim da Guerra dos Seis Dias, de 1967, eu tinha 23 anos e não tinha dúvidas de que em 40 anos a guerra árabe-Israel teria acabado. Hoje, meu filho, de 28 anos, não mais acredita em paz assim como muitos israelenses. Eles sabem que Israel talvez não sobreviva sem paz, mas de guerra em guerra, eles têm perdido o otimismo.

Agora me vejo como parte dessa maioria de israelenses que não acredita mais na paz.

Acredito num melhor gerenciamento do conflito, incluindo diálogos com o Hamas, um tabu que precisa ser quebrado.

A necessidade do engajamento dos Estados Unidos tem me conduzido, assim como a muitos israelenses, a abrigar esperanças na administração de Barack Obama.

A coisa mais amigável que Obama pode fazer por Israel seria induzir o país a se voltar para sua proposta original: ser um Estado judeu e democrático.

O governo Obama poderá ser mais útil e ter mais sucesso tentando simplesmente gerenciar o conflito, mirando no mais urgente objetivo: fazer a vida mais suportável para israelenses e palestinos.




----------------
Now playing: The Buzzcocks - Lipstick
via FoxyTunes

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Revolta da Chibata - 98 anos

Estoy aqui para completar a minha homenagem ao dia da Consciência Negra, que começou no flog e agora aqui. Não sou a pessoa mais indicada para falar da Revolta da Chibata, ou do João Cândido, líder da revolta. Então não vou falar muito,apenas estou homenageando o dito por conta deste feriado e porque daqui a 2 dias a Revolta da Chibata completa 98 anos.

Como sei pouco sobre o assunto, fiz uma rápida pesquisa na internet. Eis os resultados:
1) Texto no Overmundo - João Cândido, o almirante negro!. O texto é bom, mas o finalzinho dele peca pelo teor "negros, lutem". Sim, em geral tenho uma certa antipatia (preconceituosa, talvez) com o movimento negro porque (pode ser preconceito meu) em alguma parte esses altos bravos têm a frase "lutem para nos sobrepormos aos brancos como eles fizeram/fazem conosco" implícita.Não estou falando que todos os negros de movimentos negros são racistas e querem sobrepor uma realidade racista por outra. Mas já vi muitos desses militantes serem tão racistas quanto os brancos racistas.

2)Revista de História da Biblioteca Nacional, três artigos:
2.1 - Vice-almirante dá sua versão sobre a Revolta da Chibata. O Vice-almirante em questão é diretor da Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural da Marinha. Ele questiona tanto a liderança da Revolta da Chibata por João Cândido quanto a visão de que ele foi o herói que a memória/história produzida sobre a revolta fala que ele foi.
2.2 - Salve o almirante negro!. Marinha libera documentação sobre João Cândido. Só falta anistiá-lo.
2.3 - Entrevista com João Cândido. Realizada por Hélio Silva e Ricardo Cravo Albin em 1968, aqui está a transcrição dela.

Bom, é isso. Quem quiser, vai nos links. Pra quem não quiser, ficam só meus comentários mesmo...rsrs

quarta-feira, 18 de junho de 2008

100 anos da Imigração Japonesa no Brasil



Hoje, 18/06/2008, é o dia em que se comemora oficialmente os 100 anos de imigração japonesa no Brasil. O que pra mim é mesmo para se comemorar. Adoro a comida japonesa (o Marcelo brinca que só assim mesmo pra eu comer legumes rsrs), adoro fazer origami (dobradura de papel). E adoro mangás e animes. E a tecnologia japonesa (as primeiras fábricas de empresas japonesas vieram pro Brasil atrás da mão de obra imigrante). E admiro a disciplina japonesa. E as artes marciais.Etc.

Em 18 de abril de 1908, o navio Kasato Maru desembarcou em Santos 781 japoneses a fim de trabalham na agricultura paulista. Poucos ficaram no litoral, a maioria foi plantar café (e outras coisas, nas hortas a que tinham direito). Trouxeram coisas deliciosas como o caqui. Esse foi o marco inicial da imigração maciça de japoneses para o Brasil.

Mas, segundo o historiador Marcelo Abreu, não foi o início da imigração japonesa para o Brasil. A primeira colônia agrícola de japoneses implantou-se em 1907 no norte fluminense, comprada pelo governo do Estado e aprovada pelos japoneses para se implementarem. Infelizmente, a colônia não durou muito. Solo esgotado e falta de apoio tanto do governo quanto da Companhia de Imigração Japonesa (que inicialmente deram apoio à iniciativa) foram alguns dos fatores para que a família Kumabe desistisse do projeto 5 anos depois. Mesmo assim, fotos da família Kumabe foram apresentadas como estímulo para que a imigração maciça acontecesse.

Mais sobre o assunto:

Revista de História da Biblioteca Nacional
e Livro contesta aniversário da imigração japonesa

----------------
Now playing:
Skeletal Family - Waiting
via FoxyTunes

ps: caso não tenham notado, o novo endereço do blog é http://alindeg.blogspot.com

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Tolkien, Valinor, especialização em História

Que título mais esquisito! Onde andará o juízo dessa guria? Calma calma, tudo se explica.
Todos (ou quase) que estão lendo esse post sabem que o Tolkien (autor do Senhor dos Anéis) é um dos meus autores preferidos (ao menos atualmente). Sabem também que tem um site brasileiro dedicado a ele que eu gosto muito: a Valinor. Há mais ou menos um mês os administradores do site escreveram pedindo por novos colaboradores, para produzir e traduzir textos. Não hesitei e me candidatei assim que vi a notícia. Isso porque já estava com planos de colaborar com a Valinor de qualquer maneira, e antes deles pedirem. Sei que me vai me dar trabalho, mas sei também que tenho imenso prazer em compartilhar o que aprendi.
Professora e pesquisadora é realmente uma profissão indicada pra mim. Ora, acontece que a “academia” exige que você se especialize num determinado período da História. Claro que “trabalhos alheios a ele” são aceitos, mas as críticas àqueles que “pulam” de um período para outro são muitas, entre elas a de que o sujeito fala como se soubesse de tudo um pouco mas ele acaba sabendo nada, fazendo afirmações inconsistentes porque baseadas num breve período de pesquisa. É uma crítica também realizada por mim, inclusive. Por vários motivos, aos poucos fui me encaminhando para me especializar em Idade Média, mais especificamente o período da formação do Estado português, século XII em diante. Uma das minhas inspirações para estudar o período medieval foi a ambientação que o Tolkien deu à sua obra.
Sou apaixonada pela obra dele, não apenas por causa da sua ambientação medieval-fantástica, mas também porque ela tem uma qualidade essencial para ser adorável para mim: sua leitura me possibilita outras leituras, inspiradas por Senhor dos Anéis (e outras obras dele também). Além disso, a historiadora aqui adora estudar um determinado período tendo como fonte documentação literária. Prato cheio para um mestrado, certo? Errado. Já escrevi há umas linhas atrás que quero me especializar em Idade Média e não em Contemporânea, lembram? Ou não estavam prestando atenção? Então. Alinde fica chateada? Não! Ela lembra da Valinor!! E... a Valinor está pedindo por colaboradores, não? Não foram “aprochegadas” a fome e a vontade de comer? O site ganha textos e traduções e Alinde (ou *Ceinwyn*, para os valinoreanos ) ganha uma colaboradora! Lembram que ela adora compartilhar seus conhecimentos?
Não, nem tudo são nuvens. Essa futura historiadora ainda tem muito o que aprender em termos de disciplina. Ela está se formando, um ano difícil por natureza. Mas também é verdade que ela tem uma grande capacidade de aprender com os próprios erros e uma enorme vontade de estudar a obra do Tolkien e compartilhar seus estudos com os demais fãs que saibam português e acessem a Valinor. Que venha 2007 e todos os seus desafios!!
Aqui a página com as fotos dos colaboradores e pequenos perfis, reparem como a última garota é bela e seu texto é bom! Além de modesta, claro.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Taj Mahal

Era uma vez uma menina que gosta muito de escrever. Ela conhece a internet e também uma coisa muito interessante, chamada blog: um lugar pra ela escrever o que der na telha. Mas tem um problema: ela nunca fica satisfeita com os servidores de blog que ela encontra. Sempre tem algum defeito. Quando finalmente ela acha um razoável, bam! Murphy atua e o servidor sai do ar. Ela perde um texto que bem que gostou, uma resenha sobre o livro As Cartas de J.R.R.Tolkien que ela bem tinha gostado e bem está sem vontade de reescrever. Aí ela vai e volta prum antigo servidor: o UOL. E, ao mesmo tempo, rende-se a esse aqui, o Blogger (em fase de testes).Mas esse post nem é sobre isso, é sobre o Taj Mahal. Adoro fazer mini-pesquisas no Google, e aí embaixo vai o resultado da pesquisa sobre o Taj, que fiquei com vontade de fazer depois de ver um documentário sobre ele.
Sabem o resultado arquitetônico de influências muçulmanas, hindus e mongóis? Sim, sabem: o Taj Mahal. Na minha opinião, o túmulo mais lindo da História da Humanidade. Ainda não vi nenhum mais perfeito. Recentemente, vi um documentário sobre o Taj e não resisti à tentação de escrever um pouquinho sobre ele. Ele foi construído no século XVII para ser o mausoléu da esposa preferida do imperador mongol Shah Jahan, Mumtaz Mahal (“jóia do palácio). O império muçulmano Munghal se deu na Índia entre os séculos XVI e XIX, sendo a decadência notada a partir do século XVIII. Ele foi iniciado por descendentes de persas, turcos e mongóis.
Shah Jahan foi um dos imperadores com maior sucesso, e a sua segunda esposa era a preferida, Arjumand Banu Begam ou Mumtaz Mahal (nome ganho na corte). Dizem os cronistas da corte que o casal era inseparável – mesmo nas viagens de conquista o imperador era acompanhado pela sua esposa, que era também uma importante conselheira. Numa dessas viagens, Mumtaz estava grávida do décimo quarto filho do casal e morreu no trabalho de parto. Diz-se que o Shah Jahan ficou desolado, tendo ficado grisalho quando da morte da esposa. Decidiu então construir um mausoléu digno dela: o Taj Mahal. Pouco tempo depois, um de seus filhos tomou-lhe o poder, dando ao pai uma torre no palácio em frente ao Taj como moradia. Ali Shah Jahan passou o resto da sua vida.
Obviamente um dos meus sonhos de consumo é visitar o Taj Mahal. Além da beleza em si do túmulo, adoro lugares em que são visíveis as influências de diferentes culturas. Definitivamente não consigo escolher uma cultura que eu goste mais. Oriental ou ocidental, “primitiva” ou não, todas têm algum elemento que me fascinam.