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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

E-readers ou livros em papel?


Com a popularização cada vez maio dos e-readers, está-se criando uma polêmica que, a meu ver, pode ser uma grande bobagem: o objeto livro vai se tornar uma excentricidade? A meu ver, não. Não gosto de bancar a futuróloga, mas acho que ambos irão coexistir, livros e e-books.

No início do século XX, quando surgiram os primeiros LPs, a pergunta foi: e os rádios? E os shows ao vivo? As pessoas vão ter acesso às músicas no recôndito de seu lar... quando a TV surgiu, a mesma pergunta em relação ao rádio: ele vai se extinguir? Não, ele não se extinguiu: apenas mudou a sua programação, rádio-novelas passaram a não fazer mais sentido. E assim em diante.Viajando-se para algumas décadas adiante, a internet passou a representar um grande risco para o mercado de CDs e DVDs: é só baixar, pra que vou gastar dinheiro para ter algo físico se posso ter o mesmo com a mesma qualidade(nem tanto em relação a música, mas enfim) gastando ou muito menos ou nada? Essas indústrias sim estão em risco de extinção, a meu ver. Especialmente a de CD - não a musical. A infra-estrutura das gravadoras ainda oferece bastante aos artistas, ou parte deles não estaria brigando contra a pirataria. O modelo de negócios vai mudar, mas o negócio vai continuar.

Com o livro, tem-se uma relação muito diversa à que temos com CDs e DVDs. Não nos apegamos tanto ao material que constitui um CD-DVD-Bluray, mas ao papel... se não se apega tanto mais à escrita manuscrita, o manuseamento do objeto livro, a beleza do mesmo (especialmente se for uma boa edição), a história que cada objeto-livro encerra em si são, a meu ver, insubstituíveis. E pra que ter uma biblioteca embaixo do braço se lemos no máximo uns 3 livros por vez? E quem precisa carregar uma biblioteca no metrô, se podemos carregar um livro, abrir, sentir seu cheiro e ler o mesmo no trajeto? E o maravilhamento de estar DENTRO de uma biblioteca, o e-reader vai substituir? Não, o e-reader não vai substituir nenhuma dessas sensações. Ele vai criar outras, mas será mesmo que vai substituir uma cultura de 5 mil anos? O hábito de ouvir música em casa, a hora que se queira, tem menos de 100 anos. A cultura do livro - do manuscrito ao impresso- tem 5 mil anos. Como disse acima, detesto bancar a futuróloga, mas acho que o e-reader vem a ACRESCENTAR, não a SUBSTITUIR a forma da cultura escrita. E quem vos escreve é uma amante de tecnologia, não alguém que tenha aversão à mesma, alguém tradicionalista, que não goste de nada digital. Quando tiver meu smartphone (porque sim, eu quero ter), vou usar pra ler e comprar livros, isso é fato. Mas o hábito de ler no smartphone/no e-reader no metrô ou no avião, ou em qualquer outro lugar NUNCA vai substituir a minha paixão pelo objeto livro. Quando tiver filhos, vou ler para eles com livros em papel. E é assim que a cultura do objeto-livro vai continuar: o deslumbramento visual, olfativo e do tato  passado de pai/professor/educador para as novas gerações, se Deus quiser e meu pequeno exercício de historiadora-futuróga estiver minimamente correto.

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terça-feira, 13 de julho de 2010

I love Rock and Roll

Como eu disse na descrição sobre a minha pessoa, sou apaixonada por rock desde criancinha. Sendo assim, no Dia Mundial do Rock, não poderia deixar de postar, aqui na minha casa, uma homenagem ao meu estilo musical preferido.

Tem gente que acha que comemorar a data não é uma atitude nada rock and roll, mas e daí? Problema é de quem acha isso. Eu gosto de comemorar e de relembrar o motivo da data: o concerto beneficente de rock realizado há exatos 25 anos para ajudar os famintos da Etiópia. Ok ok, essa comemoração relembra um dos clichês sobre rock and roll: rock é atitude, blá blá blá. Não gosto do clichê, mas alguns "rockeiros" (ô adj. horrível) como Bob Geldof, bem merecem esse epíteto de "rockeiro de atitude".

Gostando ou não dos clichês, sempre aproveito a data para ter um "motivo" de exaltar meu tipo de música preferido. E, em tempos do filme sobre o grupo punk feminino Runaways, ótimo dia para celebrar uma música ótima e mega clichê, "I Love Rock´n´Roll", do Joan Jett & the Blackhearts. Minha pequena porção feminista adora a Joan Jett, o fato dela ter sido uma das primeiras mulheres a entrar no clube machista do rock e peitar a macharada - mulher gosta e faz rock de boa qualidade sim, senhor. E a letra é atemporal para as amantes de rock... ^.^

Abaixo, o vídeo e depois a letra (e no final do post uma dica de link):




I saw him dancing there by the record machine
I knew he must have been about 17
The beat was going strong, playing my favorite song
And I could tell it wouldn't be long till he was with me
Yeah with me
And I could tell it wouldn't be long till he was with me
Yeah with me

CHORUS
Singin' I love rock and roll
So put another dime in the jukebox baby
I love rock and roll
So come on take some time and dance with me

*OOWW*

He smiled so I got up and asked for his name
but that don't matter he said cuz it's all the same
I said can I take ya home, where we can be alone
And next we're moving on and he was with me
Yeah me
And next we're moving on and he was with me
Yeah me

CHORUS

I said can I take ya home where we can be alone
And next we're moving on and he was with me
Yeah me
and we'll be moving on and singing that same old song
Yeah with me

CHORUS 5 times



Ótimo post: MEIA PALAVRA INDICA: LIVROS PRA LER NO DIA MUNDIAL DO ROCK

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Xenofobia e Vargas

Estava eu lendo os blogs que acompanho na internet quando me deparei com algo que me chocou e desagradou bastante. Acompanho tem um tempo já o Lost in Japan! (que até já foi citado aqui), um blog de um brasileiro descendente de japoneses que mora no Japão. No blog, ele mostra a cultura japonesa para além da cultura pop que chega a nós, apresentando mesmo o país para quem não vive lá. Muito bom, leio sempre.
Indo ao assunto do título deste post, essa semana o Alexandre postou, na sexta dia 18 de junho, uma homenagem aos 108 anos de imigração dos japoneses no Brasil. Mas escolheu, ao invés de mostrar o quão receptivo o Brasil foi, contar uma triste história de eugenia cometida no governo Vargas (em 1938, às vésperas da II Guerra Mundial). Vargas, nesse tempo, estava adotando uma política de eugenia racial (para "melhorar a raça", branqueando a população brasileira), o que se refletia na política de imigração: só poderia ficar no Brasil quem tivesse plenas condições de trabalhar - especialmente se o candidato a imigrante não fosse branco. Consequencia dessa política: muitas famílias separadas no momento de embarque no Brasil, pois nem todos chegavam em condições perfeitas para trabalho - como foi contado neste post.
A história do post - um pai separado da sua mãe e da sua filha mais nova, ficando apenas com a mais velha - já é bastante triste per si. A família, separada no porto de Santos, nunca mais se reencontrou. À tristeza da história, junta-se a tristeza causada pela reação de alguns dos leitores do blog: ao invés de se solidarizarem com os sofrimentos impostos pela imigração, ficaram estarrecidos porque o dono do blog falou mal do Brasil! Sim, isso mesmo. Não se pode falar dos erros do passado, olhar criticamente para o que aconteceu: criticar é falar mal, um ato de desamor à pátria. Infelizmente o que se viu foi uma reação de apoio à xenofobia .
Como historiadora e professora, fiquei muito muito triste.Uma das funções da minha profissão é desmistificar  o passado, e o que esses ufanistas demonstraram é que alguns ainda desejam um passado mítico. O mito do Brasil acolhedor, do Brasil não racista, dentre outros mitos. Querer desmerecer esses sofrimentos é um desserviço histórico, uma ode ao miticismo. Que eu não aceito. Histórias como essas têm sim que ser contadas, analisadas. A Guerra do Paraguai, a Guerrilha do Araguaia, a História da Imigração. Tudo tem que ser estudado, se não quisermos construir um país tendo como ponto de partida uma memória completamente irreal.