sábado, 17 de maio de 2008

Caso Isabela Nardoni e telejornal

Não estou aqui, de forma alguma,para diminuir a gravidade do caso da menina assassinada. De forma alguma isso pode ser feito de uma forma minimamente séria (embora eu goste das piadas mórbidas envolvendo o assunto, de tanto que ele me saturou). Vou é comentar a cobertura. No caso, no jornal que assisto com mais freqüência, o Jornal das Dez da Globonews. O que não difere tanto assim do Jornal Nacional, já que as organizações Globo usam a mesma matéria em todos os seus telejornais.
Por mais que tenha a pequena vantagem de se passar num canal fechado, e portanto um pouco menos comprometido com o sensacionalismo, mesmo assim essa cobertura já deu tudo o que tinha que dar. Por mais que o caso seja estarrecedor, ele apenas tem a cobertura que tem (às vezes ocupando metade de um jornal de 1 hora) pelo caso ter ocorrido numa família de classe média alta. Não tenho dúvidas que casos assim ocorrem na periferia da mesma São Paulo e não são nem notícia. Esse é o primeiro ponto.
O outro talvez seja ainda pior. Cobertura de casos mais sérios são interrompidas para se passar a prisão do casal Nardoni.Estava sendo noticiada a soltura do único mandante de assassinato então preso no Pará, o fazendeiro que encomendou a morte da missionária Dorothy Stang. Enquanto se comentava a situação mais geral do Pará, em que segundo a Comissão Pastoral da Terra mais de 800 pessoas foram assassinadas nos últimos 40 anos no Pará, o casal estava sendo preso. Interromperam essa matéria para vermos os carros da polícia levando o casal para a delegacia. Faça-me o favor.
O fim do Décimo Terceiro foi aprovado na Câmara e a notícia corrente é... Isabela Nardoni. Querem terminar com a Licença Maternidade e as férias pagas e a notícia é... Isabela Nardoni.
Seria a imprensa um veículo que permitisse a sociedade saber de coisas do seu interesse? Seria. Mas...

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Recomendações internédicas

Por vários motivos pessoais, acabei deixando esse bróg às moscas. Tadinho dele. Mas agora vou voltar a cuidar do bichinho. Como novidade, ali ao lado temos a lista das últimas músicas no Last FM. Agora vamos ao assunto do post.

Se fiquei um tempão sem postar,não fiquei o mesmo tempo sem navegar na internet. Isso não mesmo. Então vou reativar isso aqui com duas indicações internédicas de sites que gosto muito.

O primeiro é o blog-site-whatever Meia Palavra. Ele tem como origem o fórum Meia Palavra, em que o assunto pricipal é literatura (e é muito bom, por sinal). O site é feito pelas pessoas que participam do fórum e a idéia do site teve origem no fórum. São tratados os mais diversos assuntos: cinema, música, literatura,etc. Vale bem a pena. Vale dizer que os textos são muito bem escritos ^^

O segundo é o site da minha ex-revista de música preferida: a Rock Press. Digo a minha ex-preferida porque tem algum tempo já que ela não é mais editada, mas nem por isso a Rock Press deixou de existir: agora é um portal. O que mais gosto na revista é a grande variedade dos estilos apresentados, com matérias desde Beatles até Napalm Death. E ainda por cima tem também dicas de filmes, animes, livros...
E a Rock Press está comemorando 12 anos. Desses 12, acompanho o trabalho deles há dez. Vida longa à Rock Press \o/

Ah, sim, meu perfil no Last FM. Acho que não preciso escrever sobre o Last FM, preciso?

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Não se fazem mais punks como antigamente

É, não se fazem mais punks como antigamente. Do it yourself? Bom, punks mudernos não sabem o que é. Pelo menos não a que foi pra MTV no programa "Quebra Galho".

Explicando melhor: Quebra Galho é um programa novo da MTV em que vc quer uma coisa que vc não sabe(algo do tipo: quero fazer um jantar) e aí essa coisa tem que custar no máximo R$50,00. A MTV arranja alguém pra te ajudar, por isso ela quebra o galho.

Aí hj vi uns pedaços de um Quebra Galho em que uma guria queria fazer um sushi pras amigas. A menina era "punk": baixista de uma banda punk e seu visual era modernoso. Aí a MTV arranjou um sushiman pra guria. Aí eles compraram um salmão. Até aí tudo bem. Aí o sushiman anunciou: vc que vai cortar a cabeça do peixe. Aí ela ficou fazendo ceninha (incluindo um grito histérico e "miados" de gata manhosa), mas acabou cortando a cabeça do peixe.

Agora me pergunto: se ela queria mesmo fazer o tal do sushi, pra que a ceninha? Tipo, tb tenho nojo de cortar cabeça de peixe, aliás detesto cozinha. Mas se eu me proponho a enfrentar, é pra enfrentar sem draminha, né? O que ela queria? Aprender ou que ele fizesse por ela?

É por isso que eu digo: não existem mais punks como os de antigamente. Se ela entendesse o "do it yourself" ela não faria draminha.... ia encarar o peixe e só, sem "ai, não vou fazer isso, não vou!"(como ela chegou a falar). Saudade do Sid Vicious... tá, dele não. Do Joey Ramone (dele com certeza).

quinta-feira, 22 de março de 2007

Aulas da Faculdade de Educação

Informações básicas para entender o post:
Faculdade de Educação (Praia Vermelha): lugar que faço as disciplinas teóricas de licenciatura, para um dia poder dar aula no ensino fundamental.
Foucault = filósofo do século XX que muito contribuiu para todas as ciências humanas.
Debret = pintor do século XIX que participou da chamada Missão Francesa, veio para o Brasil pintar o mesmo e ensinar artes por aqui. Pintou muitas cenas do Rio de Janeiro,então Corte do Império.

Bom, como faço as disciplinas de Educação na Praia Vermelha e não no IFCS (o meu instituto), as turmas são muito misturadas, encontra-se de tudo que se puder imaginar nessas aulas. Biologia, Letras, Educação Física, Filosofia.. tudo mesmo.
Inclusive pessoas mais velhas (na faixa de 40 anos pra cima) que por um motivo ou por outro fazem aulas de licenciatura com o pessoal que está na faixa de 23, 24 anos.
Em geral, esses "tiozinhos" querem expressar a voz da experiência em sala de aula, gostam de se mostrar participativos. Geralmente, são tão "participativos" que são cortados pelos professores para os professores lembrarem quem é professor e quem é aluno ali. Enfim, não gosto de ter "tiozinhos" na minha turma. Por que essa delonga toda? Pra falar de algo que simplesmente detesto, e que aconteceu hoje: quando alguém não consegue ficar de boca fechada, porque TEM-QUE-FALAR-ALGO-PRA-MOSTRAR-QUE-É-INTELIGENTE.Putz, como detesto isso. Não é vergonha a pessoa não ter o que opinar, por que será que tem pessoas que se sentem "menores" se não opinarem sobre absolutamente tudo? Hoje a aula era sobre a presença de leis educacionais na Constituinte de 1823. Então logicamente se debateu em sala de aula o Brasil no século XIX. E aí a "tiozinha" da sala ficou dando pitacos (a maior parte ou óbvios ou idiotas) e soltou a seguinte pérola: Foucault, um pintor do século XIX... pô, ela podia estar pensando no Debret e ter falado Foucault, sim ela poderia. Mas por que a pressa pra falar? Só pra falar que falou, aí ela me vem dizer que Foucault é Highlander e além de pintor era filósofo? Ah pelamordedeus. Além de ser uma "tiazinha" típica, é mais uma das pessoas que não saem do censo comum sobre História e me vêm com ar de grandes sabedores... Deus me dê paciência para não jogar toda a minha arrogância pra essas pessoas...Mas acabo não jogando não, té que sou boazinha.

Se sou arrogante, especialmente quando ouço que o Foucault era um pintor do XIX, também não suporto quem fica "arrotando" conhecimento e leitura. Como um sujeito do IFCS, que ia pra aula de Psicologia da Educação ficar arrotando citações de filósofos para alunos de Educação Física. Po, pra que tanto exibicionismo? Mas hoje esse sujeito mostrou uma postura diferente, mais aberta a dialogar com quer que seja. Fiquei muito satisfeita com isso, gosto de ver quando alguém excessivamente arrogante (pq um pouco arrogante TODO mundo é) muda a sua postura e se dispõe a dialogar com pessoas que não têm as mesmas leituras.

Agora: uma coisa é dialogar com pessoas que não são absolutamente da minha área. Com isso estou totalmente de acordo. A outra é uma pessoa não sair do censo comum e ficar enchendo o saco querendo "participar" (ou: querendo se mostrar). Com esse segundo tipo fico arrogante e rindo da cara mesmo. E quem não faz isso? Por favor, se alguém não for nada arrogante,não atire pedra nenhuma. Ou atire, o seu PC que vai sofrer.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Nhó!! *.*

Nossa, hoje eu recebi uma notícia que me deixou muito, mas muito feliz mesmo. Não há ninguém aqui que não saiba que eu adoro o Tolkien. Pois bem, tem um site-fórum que eu gosto muito - a Valinor - que fala de...hum... Tolkien, que coisa! Ah, há 2 posts atrás escrevi que sou a nova colabora do site.
O fato é que hoje meu primeiro artigo foi publicado, e a administração gostou dele, o que significa que, além de ter meu trabalho realizado reconhecido, ainda fui estimulada a escrever mais, o que significa que não paro de ler Tolkien e sobre Tolkien tão cedo. Mas realmente não estou triste por isso, nenhum pouco deprimida ^_^.

PS: a inspiração pra escrever aqui está meio esparsa, mas logo logo ela volta. Espero. Não vou escrever sobre como a minha monografia está andando (ou não). Ou: hoje eu li algo sobre Tolkien e blá blá blá. Não gosto de fazer blog diarinho, então quando e se eu tiver algum assunto interessante eu volto a postar.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Olhares estrangeiros

Aqui estranhamente falarei sobre três livros que não li e um documentário que não vi. Normalmente não escreveria sobre eles, mas as semelhanças entre as temáticas me chamaram atenção. E, também, quem nunca emitiu uma opinião baseada apenas numa primeira observação? Além do que, escreverei sobre o que acho de comum entre eles e a curiosa recepção que têm tido.
O primeiro é O caçador de pipas, de Khaled Hosseini. O livro conta a história de dois garotos afegãos, e atravessa a história do país: fim da monarquia, comunismo, talibãs. O sucesso, acho, é creditado não só à narrativa, mas também por se passar no Afeganistão, um país que ninguém conhece a não ser pelas guerras e pelos talibãs. Os outros livros “comentados”, aliás, também se passam nesse país: os dois são reportagens.
O primeiro deles é o Livreiro de Cabul, de Asne Seierstad. Segundo livro de não-ficção mais vendido, segundo o Idéias e Livros do JB de 24.02.07. Ele é uma reportagem de jornalista norueguesa enviada ao Afeganistão para cobrir a guerra contra os talibãs. Após o fim do conflito, ela morou por três meses na casa de um livreiro que primeiro resistiu aos comunistas e por fim aos talibãs, para deixar a sua livraria aberta. O livro é sobre esses três meses e o choque cultural entre uma norueguesa e um autoritário muçulmano.
Outro livro que enfatiza o choque cultural e as atrocidades dos talibãs é o da fotógrafa Harriet Logan: Mulheres de Cabul. Ao que parece, é composto por depoimentos e fotos das mulheres submetidas ao regime e ainda em processo de reintegração com as ruas.
O documentário é o Send a bullet, dirigido por Jason Kohn e ainda sem previsão de data de lançamento no Brasil. Ele passou alguns anos aqui produzindo esse filme que tem como temas a violência, a corrupção, a concentração de renda. Soube desse comentário por uma entrevista que Jason deu ao “Segundo Caderno” do jornal O Globo e publicada em 3.2.7. Na entrevista, falou como se estivesse falando de um tema não abordado, como se também a relação que fez entre violência e corrupção fosse 100% original. Certo, ele está vendendo o peixe dele. Mas não, ele não é original e a imagem que se tem do Brasil não é só mulher, carnaval e futebol. Alguns fazem apenas essa associação, mas a visão negativa daqui não é nova nem nos Steites e nem no Brasil. Sendo lançado, verei.
O que esse saco de gatos têm em comum? Primeiro, são olhares estrangeiros sobre o terceiro mundo – à exceção do Caçador de pipas. Segundo, o sucesso que alcançaram. Os três primeiros são sucessos nas livrarias e o quarto ganhou prêmios no Festival de Sundance (cinema independente, EUA).
É certo o fascínio que culturas alheias causam em muitas pessoas. Se assim não fosse, esses livros não seriam publicados, traduzidos, vendidos. O documentário não ga nharia premiação nenhuma. Se as concepções deles têm algo de bom, é oferecer amostragens de realidades diversas.Se têm outros méritos, só vou saber quando conferi-los.
Não desmerecendo totalmente essas iniciativas, tenho algo a criticá-las. Se é verdade que mostram realidades desconhecidas, é também verdade que a ênfase desse tipo de coisa sempre está no que soa absurdo à cultura ocidental – quase um “denuncismo”. Infelizmente, é esse tipo de reportagem que mais faz sucesso e mais é divulgada, é quase como se precisássemos apontar os defeitos dos outros, como se forma de amenizar os nossos e também como maneira de esquecermos os nossos.
Não que corrupção, violência, machismo (exacerbado, o “brando” as mulheres ocidentais sentem e os homens quase sempre não se tocam), etc, não devam ser denunciados. Fechar os olhos para esses absurdos é a melhor forma de deixar que se perpetuem. Mas existem outras coisas a serem mostradas, coisas boas a ser melhor exploradas. Infelizmente, o que se vende mais, em termos de cultura muçulmana (p. ex.),é o absurdo do talibã (não consigo despertar a antropóloga em mim pensando neles). São as mulheres do mundo muçulmano reclamando tendo como parâmetro a cultura ocidental (descontentes sempre há, mas porque só elas têm mídia macissa?), homens que podem ter quatro mulheres (como se todos tivessem). Coisas que seriam melhor compreendidas se houvesse maior conhecimento da cultura muçulmana no Ocidente.
Não entrei em méritos e desméritos políticos dessa questão, até porque o texto já está longo o suficiente para um blog e porque estou caindo de sono aqui. Poderia estar melhor escrito, sei. Mas e a paciência pra revisar? Fica pro próximo.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Tolkien, Valinor, especialização em História

Que título mais esquisito! Onde andará o juízo dessa guria? Calma calma, tudo se explica.
Todos (ou quase) que estão lendo esse post sabem que o Tolkien (autor do Senhor dos Anéis) é um dos meus autores preferidos (ao menos atualmente). Sabem também que tem um site brasileiro dedicado a ele que eu gosto muito: a Valinor. Há mais ou menos um mês os administradores do site escreveram pedindo por novos colaboradores, para produzir e traduzir textos. Não hesitei e me candidatei assim que vi a notícia. Isso porque já estava com planos de colaborar com a Valinor de qualquer maneira, e antes deles pedirem. Sei que me vai me dar trabalho, mas sei também que tenho imenso prazer em compartilhar o que aprendi.
Professora e pesquisadora é realmente uma profissão indicada pra mim. Ora, acontece que a “academia” exige que você se especialize num determinado período da História. Claro que “trabalhos alheios a ele” são aceitos, mas as críticas àqueles que “pulam” de um período para outro são muitas, entre elas a de que o sujeito fala como se soubesse de tudo um pouco mas ele acaba sabendo nada, fazendo afirmações inconsistentes porque baseadas num breve período de pesquisa. É uma crítica também realizada por mim, inclusive. Por vários motivos, aos poucos fui me encaminhando para me especializar em Idade Média, mais especificamente o período da formação do Estado português, século XII em diante. Uma das minhas inspirações para estudar o período medieval foi a ambientação que o Tolkien deu à sua obra.
Sou apaixonada pela obra dele, não apenas por causa da sua ambientação medieval-fantástica, mas também porque ela tem uma qualidade essencial para ser adorável para mim: sua leitura me possibilita outras leituras, inspiradas por Senhor dos Anéis (e outras obras dele também). Além disso, a historiadora aqui adora estudar um determinado período tendo como fonte documentação literária. Prato cheio para um mestrado, certo? Errado. Já escrevi há umas linhas atrás que quero me especializar em Idade Média e não em Contemporânea, lembram? Ou não estavam prestando atenção? Então. Alinde fica chateada? Não! Ela lembra da Valinor!! E... a Valinor está pedindo por colaboradores, não? Não foram “aprochegadas” a fome e a vontade de comer? O site ganha textos e traduções e Alinde (ou *Ceinwyn*, para os valinoreanos ) ganha uma colaboradora! Lembram que ela adora compartilhar seus conhecimentos?
Não, nem tudo são nuvens. Essa futura historiadora ainda tem muito o que aprender em termos de disciplina. Ela está se formando, um ano difícil por natureza. Mas também é verdade que ela tem uma grande capacidade de aprender com os próprios erros e uma enorme vontade de estudar a obra do Tolkien e compartilhar seus estudos com os demais fãs que saibam português e acessem a Valinor. Que venha 2007 e todos os seus desafios!!
Aqui a página com as fotos dos colaboradores e pequenos perfis, reparem como a última garota é bela e seu texto é bom! Além de modesta, claro.