segunda-feira, 9 de junho de 2008

Crônicas de Artur

É, o meu nick, Ceinwyn, saiu dessa trilogia. É uma personagem do livro que à primeira vista é uma coisa e quando se conhece é outra - mais positiva do que a primeira impressão.

A trilogia, Crônicas de Artur, foi escrita por Bernard Cornwell na década de 90 e foi publicada no Brasil pela Record.

Mas a Ceinwyn não é de longe a personagem principal, como se pode ver mesmo pelo título. O personagem principal é o rei Artur. "Ah, mais um livro sobre a Távola Redonda?", podem pensar. É, mais um livro pra imensa lista de inspirados no legendário arturiano. Mas, se fosse "apenas mais um livro", não teria chamado a minha atenção, certo? Então não é mais um livro. Pode não ser "O" livro arturiano, mesmo porque não li todos, mas é um ótimo livro.

O mote do livro é misturar a lenda já conhecida do Artur (na sua versão mais clássica, a medieval) com pesquisa histórica sobre o século VI bretão e com adaptações realizadas por ele. O resultado é brilhante. A pesquisa está fantástica, e foi muito bem usada. Muda de forma drástica o caráter de alguns personagens,praticamente introduz outros (como o Derfel, praticamene desconhecido e que aqui é o narrador da história), modifica a versão da história mais conhecida.

A versão medieval mais conhecida da lenda arturiana foi escrita no século XII, na França, por Chrétien de Troyes, a partir de manuscritos que datam de séculos muito anteriores. Nessa versão, Artur é um rei que tem como corte os cavaleiros da Távola Redonda. Nada mais condizente com a realidade do século XII, com o público do século XII (cavaleiros), mas não muito condizente com a Bretanha do século VI. Na Bretanha do século VI não existia cavalaria. Tampouco rei. Chrétien escreveu para uma corte que estava se formando na França, quando a França estava começando a ser um reino.

A Bretanha do século VI dividia-se entre cristãos e pagãos. Não era um reino unificado, e sim uma composição de vários reinos. Enfrentava invasões de anglos e de saxões. E é partindo de pesquisa sobre esse período que Cornwell faz sua ficção histórica. Não pretente fazer um tratado histórico, se permite licenças poéticas. E as justifica todas no final de cada volume.O Artur do livro não é rei, é um general que faz o máximo possível para unificar as tropas bretãs a fim de conter as invasões.

Enfim, altamente recomendado. Ótimo romance histórico, que não faz licenças poéticas exageradas mas que tampouco pretende ser um tratado sobre a Bretanha do século VI. Ótima narrativa e ótimos personagens.

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7 comentários:

Vítor disse...

Parece um bom livro, fiquei interessado em ler, porem o problema é que ele entra na fila, e isso significa que deve demorar um pouco até que compre e leia. Mas vou ver se consigo um pra quando chegar a hora de ler.

Marcelo disse...

cronicas de arthur é mto bom... pena q só tem 3 livros =p
por mim podia ter mais uns 6 =p
os personagens sao tao legais que vc nao quer parar de ler...

Mariana "Feanari" disse...

Eu amo tanto o Cornwell que eu comprei um livro so prq ele disse que era bom LOL

Fëanor disse...

Taí uma coisa que faz tempo que eu pretendo ler, mas infelizmente ainda vai ter que esperar um bom tempo até eu conseguir tempo. =P

Anyway, boa descrição da obra. Desperta a vontade de ler mesmo. =)

Snaga disse...

Já ouvi falar muito dessas Crônicas e sempre muito bem. Tenho vontade de ler. Quem sabe um dia você me empresta?! xD

Mas então, me tira uma dúvida. Pelo o que entendi, é algo bem realista, ou seja, não tem espada na Pedra, Merlim e nada daquele misticismo que conhecemos da história de Artur? (aliás, não tinha um H no meio do nome dele?)

Ceinwyn disse...

O Merlin tem, não podia faltar. Tem uma dose de misticismo sim, mas druida. Espada na pedra é que não tem.
Quanto a emprestar, eu li emprestado =p

Paulo Rocha disse...

Primeiro livro do Cornwell que li foi 'O Arqueiro', alguns anos atrás. Comprei e li todos os volumes das 'Crônicas de Arthur' e depois comprei também o 'O Andarilho' e 'O Herege' - os dois outros volumes da série da 'Busca do Graal', começada no Arqueiro.
Cornwell é um historiador de guerra, além de um excelente escritor. Por isso eu adoro tudo que ele escreveu, pela riqueza de detalhes das batalhas e pela fidelidade realista.
Aliás, acho que vou escrever um texto sobre a 'Busca'.